segunda-feira, 15 de março de 2010

Cinema e cidadania
Andreas Peter*

O universo cinematográfico brasileiro vive em constante discussão. Quais as melhores formas de financiar a produção, como preparar a mão de obra, como distribuir os filmes? O acesso do público ao cinema não comercial é outro tema interessante para esse debate. Em tempos das salas multiplex, que exibem em sua maioria os blockbusters americanos e sua cultura, a cinematografia brasileira quase sempre é esquecida, não tem seu espaço, e assim, o público brasileiro não se identifica com suas histórias. O acesso às salas de cinema também é difícil para grande parcela da população brasileira. Infelizmente o número de salas de projeção ainda é pequeno, e o ingresso é caro para muitas pessoas.

Através da mostra Diálogos em Cena, surge uma ação para redesenhar esse cenário. Projetar filmes no formato de curta e média-metragem, e também os longas não comerciais em cidades sem salas de cinema é fundamental, vai além da discussão. Oferece ao público algo a mais que estão acostumados no circuito comercial. E funciona como um incentivo a busca de informações através do cinema, em cidades que não possuem esse espaço de informação cultural e entretenimento. Preparar o público para identificar-se com suas raízes, suas histórias e seus desejos é papel do cinema. Educar e formar cidadãos também. A mostra Diálogos em Cena oferece isso aos participantes de oficinas, debates e projeções: a oportunidade de tornarem-se mais cidadãos.

* Documentarista, professor de Comunicação e parceiro do Diálogos em Cena.
Ele mediou debates durante a Mostra e ministrou a oficina de cinema "O Exercício do Olhar", em Pomerode.

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